A Galatea inaugura a exposição Antonio Maia: símbolos mágicos, que reúne uma série  inédita de pinturas do artista sergipano Antonio Maia (1928-2008). A mostra destaca o olhar singular de Maia sobre os 22 Arcanos Maiores do tarô,  símbolo místico e esotérico que atravessa sua produção artística. A partir de uma  experiência com o tarólogo Namur Gopalla em 1986, o artista aprofundou uma pesquisa  intuitiva que já vinha construindo, integrando também referências à astrologia, cabala e alquimia.

A exposição acontece na unidade da galeria da Rua Padre João Manuel, 808, em São Paulo, e ficará em cartaz  até 2 de agosto de 2025. Na abertura, o curador e crítico de arte Lucas Dilacerda, que também assina o texto  crítico da mostra, conduz uma visita mediada pelo tarô (das 18h às 19h), propondo uma  leitura coletiva sensível das obras e do universo simbólico que Maia explorou. 

Natural do interior de Sergipe, Antonio Maia construiu uma obra marcada pelo diálogo  entre a religiosidade popular nordestina e as linguagens visuais contemporâneas. Sua  produção é reconhecida principalmente pelos ex-votos, tema que permeou seu trabalho  por mais de 30 anos, mas nesta série, ele amplia sua abordagem, incorporando  elementos do imaginário esotérico e místico, criando uma ponte entre o popular e o  pop, como define o curador, que chama essa atmosfera de “surrealismo nordestino”. O curador Lucas Dilacerda destaca:

“Em momentos de crise social, afetiva e ambiental, buscamos nos  saberes ancestrais e místicos uma alternativa à ciência moderna ocidental. O tarô nos  convida a olhar para dimensões da vida muitas vezes ignoradas e nos convoca à vida.” 

Esta é a quarta vez que a série de pinturas do tarô de Antonio Maia é apresentada ao  público, tendo sido exibida anteriormente em exposições na Galeria Bonino (1993), no  Museu Chácara Dona Catarina (2000) e no Centro Cultural dos Correios (2008), em  mostra póstuma.

Antonio Maia (Carmópolis, SE, 1928 — Rio de Janeiro, RJ, 2008) iniciou a sua carreira  artística como autodidata no final da década de 1950, pintando com foco na abstração  informal e utilizando técnicas de texturização, colagens e cores terrosas. Sem formação  acadêmica formal, desenvolveu sua prática por meio de intensa pesquisa pessoal e  participação em cursos livres de cerâmica, fotografia, canto e teatro. A pintura foi sua  principal linguagem ao longo de cinco décadas de trajetória. 

Sua produção é marcada por uma virada fundamental em 1964, quando abandona a  abstração para se dedicar à representação do ex-voto nordestino, tema que permeia toda a sua obra posterior. Em suas telas, figuras simplificadas, cores chapadas e  composições econômicas revelam um equilíbrio entre religiosidade popular e uma  linguagem visual contemporânea. Desenvolveu também séries sobre o Tarô, a Via Sacra  e simbologias ligadas às ciências ocultas. Sua pintura, ao mesmo tempo rigorosa e  afetiva, expressa uma tensão contida entre o sagrado e o mundano, com ecos de  denúncia social e reflexão sobre as raízes da cultura brasileira.

Entre suas exposições de destaque estão Antonio Maia: Ex-voto, Alma e Raiz (Caixa  Cultural, Rio de Janeiro, 2016), O Tarô de Antonio Maia (Centro Cultural Correios, Rio de  Janeiro, 2008), O Tarô de Antonio Maia (Galeria Bonino, Rio de Janeiro, 1993), e a mostra  retrospectiva no Centro Cultural Lume (Rio de Janeiro, 1974). Participou ainda da IX  Bienal de São Paulo (1967) e da coletiva Arte Agora II / Visão da Terra (Museu de Arte  Moderna do Rio de Janeiro, 1977). Sua obra integra coleções públicas como o Museu  Nacional de Belas Artes (RJ), Museu de Arte Moderna de São Paulo, Museu de Ontário  (Canadá) e Art Gallery of Brazilian American Cultural Institute (Washington DC, EUA).  Entre os principais reconhecimentos estão o Prêmio de Viagem ao Estrangeiro (1969), o  Prêmio de Viagem ao País (1968) e o Prêmio Banco Lar Brasileiro na Bienal de São Paulo  (1967).

Obra de Antonio Maia em exposição na Galatea

Lucas Dilacerda é Curador e Crítico de Arte. É sócio da AICA – The International  Association of Art Critics; e também da ABRE – Associação Brasileira de Estética, da ABCA  – Associação Brasileira de Críticos de Arte e da ANPAP – Associação Nacional de  Pesquisadores em Artes Plásticas (Comitê de Curadoria). Ganhou o prêmio ABCA 2023  pelo destaque regional no Nordeste com a curadoria da Bienal Internacional do Sertão.  Comitê de Indicação do Prêmio PIPA (2025). Realizou mais de 50 curadorias de  exposições coletivas e individuais, 70 cursos e 200 apresentações em diversas  instituições de arte no Brasil. Possui mais de 50 textos, críticas de arte e artigos  publicados. É professor de “Estética” e “História da Arte” de Cursos Técnicos do Dragão  do Mar e da Pós-Graduação em Arteterapia e Arte-Educação da UNIFOR. Doutorado,  Mestrado e Graduação em Artes.

Obra de Antonio Maia em exposição na Galatea
Obra de Antonio Maia em exposição na Galatea

Sob o comando dos sócios Antonia Bergamin, Conrado Mesquita e Tomás Toledo, a Galatea conta com dois espaços vizinhos na cidade de São Paulo: a unidade localizada na Rua Oscar Freire, 379 e a nova unidade localizada na Rua Padre João Manoel, 808. A  galeria também tem uma sede em Salvador, na Rua Chile, 22, no centro histórico da  capital baiana.

A Galatea surge a partir das diferentes e complementares trajetórias e vivências de seus  sócios-fundadores: Antonia Bergamin, que foi sócia-diretora de uma galeria de grande  porte em São Paulo; Conrado Mesquita, marchand e colecionador especializado em  descobrir grandes obras em lugares improváveis; e Tomás Toledo, curador que contribuiu  para a histórica renovação institucional do MASP, saindo em 2022 como curador-chefe. Com foco na arte brasileira moderna e contemporânea, trabalha e comercializa tanto  nomes consagrados do cenário artístico nacional quanto novos talentos da arte  contemporânea, além de promover o resgate de artistas históricos. Idealizada com o  propósito de valorizar as relações que dão vida à arte, a galeria surge no mercado para  reinventar e aprofundar as conexões entre artistas, galeristas e colecionadores.


Serviço: Exposição Antonio Maia: símbolos mágicos. Abertura: 10 de junho de 2025, das 18h às 21h. Visita mediada: 10 de junho, das 18h às 19h, com Lucas Dilacerda. Local: Galatea Padre João Manuel – Rua Padre João Manuel, 808 – Jardins, São Paulo – SP. Período: 10 de junho a 2 de agosto de 2025. Horários: Segunda a quinta, 10h–19h | Sexta, 10h–18h | Sábado, 11h–17h Mais informações: http://www.galatea.art 

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